UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE FILOSOFIA E CI - PowerPoint PPT Presentation

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE FILOSOFIA E CI

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universidade federal de santa catarina centro de filosofia e ci ncias humanas departamento de psicologia n cleo de pesquisas em psicologia cl nica -psiclin – PowerPoint PPT presentation

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Title: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE FILOSOFIA E CI


1
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINACENTRO DE
FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANASDEPARTAMENTO DE
PSICOLOGIANÚCLEO DE PESQUISAS EM PSICOLOGIA
CLÍNICA -PSICLIN
  • Dependência de Drogas e Comorbidade
  • Contribuições da Psicologia Existencialista
  • Profª. Dra. Daniela Ribeiro Schneider
  • danis_at_cfh.ufsc.br
  • www.psiclin.ufsc.br

2
PARTE 1
3
Drogas e História
  • O consumo de substâncias psicoativas é um
    fenômeno civilizatório, ou seja, sempre existiu
    em todas as culturas humanas o uso de substâncias
    que alteram os estados de consciência.
  • Descobrimentos arqueológicos
  • 5000 AC vinho na região do atual Irã
  • 4000 AC maconha (cânhamo) na China
  • 3000 AC folhas de coca na América do Sul
  • Drogas e Movimentos Culturais
  • Surrealismo - Absinto início Séc. XX
  • Movimento Hippie Maconha e LSD anos 1960

4
Drogas e Mudanças Sócio-Culturais
  • As características desse consumo modificaram-se
    significativamente nas últimas décadas
  • colocando em risco a vida de muitas pessoas,
  • sendo um dos fatores estressantes a espelhar o
    sistema econômico contemporâneo e seu ciclo da
    sociedade de consumo
  • As drogas lícitas e ilícitas são hodiernamente um
    dos principais problemas de saúde pública
    mundial
  • As drogas, principalmente as lícitas (álcool e
    tabaco), carregam os maiores índices de
    mortalidade, bem como os de violência urbana e no
    trânsito, bem como são as proimeiras responsáveis
    pelo absenteísmo ao trabalho e seu custo social

5
Drogas e Contemporaneidade
  • O aumento no consumo de drogas reflete as
    transformações atuais do mundo em termos de
    tempo-espaço, decorrente das mudanças nas
    estruturas produtivas e no mercado financeiro, o
    que acarreta mudanças profundas no modo de ser
    contemporâneo
  • Hoje a ênfase está nos valores instantaneidade e
    descartabilidade.
  • Gera uma cultura do descartável, onde todas as
    experiências da vida são percebidas sob essa
    ótica
  • Descartar valores, estilos de vida,
    relacionamentos, apego a coisas, às pessoas.

6
Drogas e Contemporaneidade
  • O desdobramento dessa situação é a modificação da
    experiência da produção da subjetividade
  • história futuro projeto de ser
  • Prazer imediato
  • Vale o aqui e agora vazio
    existencial
  • Essa são as determinantes antropológicas para o
    padrão de uso abusivo de drogas na
    contemporaneidade!

7
Conceito de Drogas
  • O termo é utilizado para designar todas as
    substâncias químicas que alteram as funções do
    organismo vivo, resultando em mudanças
    fisiológicas e/ou comportamentais.

8
DROGAS - diferenças entre Medicamento, Remédio,
Droga de Abuso
  • MEDICAMENTO Toda droga com utilidade
    terapêutica cientificamente comprovada.
  • REMÉDIO Tudo o que provoca alívio de um sinal
    e/ou sintoma.
  • DROGA DE ABUSO Droga utilizada com finalidade
    intoxicante. Geralmente utilizada de forma
    descontrolada, leva ao uso de risco ou à
    dependência.
  • O que diferencia um medicamento de um veneno é a
    dose em que ele é usado!

9
Conceito Substância Psicoativas
  • Toda droga que, quando absorvida pelo organismo
    por diferentes vias (oral, endovenosa, inalada,
    etc), provocam modificações no funcionamento do
    Sistema Nervoso Central (S.N.C.). Essa situação
    provoca mudanças no estado de consciência e na
    percepção do usuário, alterando o comportamento,
    o humor e/ou a cognição, uma vez que as referidas
    substâncias podem atuar como depressoras,
    estimulantes ou perturbadoras do S.N.C.
  • Quando usadas de forma abusiva são chamadas
    drogas de abuso.

10
Tipos de Drogas (substâncias psicoativas)
  • Depressoras do SNC drogas que inibem as funções
    psíquicas. Têm ação relaxante ou calmante.
  • Exemplos álcool, ansiolíticos
    (tranquilizantes), heroína, inalantes, etc

11
Tipos de Drogas (substâncias psicoativas)
  • Estimulantes drogas que estimulam as funções
    psíquicas. Têm ação tônica, revigorante,
    euforizante.
  • Exemplos tabaco, anfetaminas, ecstasy, cocaína,
    crack, cafeína, etc

12
Tipos de Drogas (substâncias psicoativas)
  • Perturbadoras (alucinógenas) drogas que
    perturbam as funções psíquicas. Têm ação
    confusional, alucinógena.
  • Exemplos L.S.D., maconha, chá de cogumelos,
    etc.

13
Drogas Lícitas e Ilícitas
  • Drogas Lícitas cujo uso é permitido legalmente
    álcool, tabaco, cafeína, inalantes,
    medicamentos.
  • Responsáveis pelo maior carga de doenças
    e maior custo social entre as drogas
  • Drogas Ilícitas cujo uso é proibido legalmente
    maconha, cocaína, crack, ecstasy, etc.
  • Responsáveis por significativas
    mudanças na ordem social, principalmente em
    função do tráfico de drogas, que é umas das
    principais determinantes da violência urbana.

14
Epidemiologia do Uso de Drogas II Levantamento
Domiciliar sobre Uso de Drogas no Brasil (CEBRID,
2006)
15
I e II Levantamentos Domiciliares sobre Uso de
Drogas no Brasil(CEBRID, 2002 2006)
16
Comparação níveis de dependência entre o I
Levantamento Domiciliar(CEBRID, 2002) e o II
Levantamento (Cebrid, 2005)
Substância Dependência Em 2001 Dependência Em 2005
Álcool 11,2 12,3
Tabaco 9,0 10,1
Maconha 1 1,4
17
I e II Levantamentos Domiciliares sobre Uso de
Drogas no Brasil(CEBRID, 2002 2006)
18
PARTE 2
19
Diferenças entre uso, abuso e dependência de
substâncias psicoativas
  • USO SOCIAL uso ocasional de álcool e outras
    drogas, geralmente em situações sociais droga
    usada como simples experimentação, curiosidade ou
    recreação
  • USO ABUSIVO (ou USO NOCIVO) um padrão de uso de
    substância psicoativa já abusivo, que está
    causando dano a saúde ou à vida de relações. O
    dano pode ser físico (hepatite, por exemplo),
    psicológico (depressão), social (problemas
    relacionais na escola, família, trabalho)
  • Padrão Binge
  • DEPENDÊNCIA (ver critérios adiante) 20 das
    pessoas que usam abusivamente álcool e/ou outras
    drogas tornam-se dependentes. Em termos de
    população em geral - álcool (11) e drogas
    ilícitas (1)

20
Classificação do Usuário
  • não usuário
  • usuário leve
  • usuário moderado
  • usuário pesado Gravidade

21
Questão
  • Quais as razões que levam alguém a
    tornar-se dependente de álcool ou outras drogas?

22
Critérios para dependência de álcool e outras
drogas (DSMIV)
  • Um padrão mal-adaptativo de uso de substância,
    levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente
    significativo, manifestado por três (ou mais) dos
    seguintes critérios, ocorrendo a qualquer momento
    no mesmo período de 12 meses
  • tolerância, definida por
  • (a) uma necessidade de quantidades
    progressivamente maiores da substância para
    adquirir a intoxicação ou efeito desejado
  • (b) acentuada redução do efeito com o uso
    continuado da mesma quantidade de substância

23
Critérios para dependência de álcool e outras
drogas (DSMIV)
  • 2. abstinência, manifestada por
  • (a) síndrome de abstinência característica
    para cada substância
  • (b) a mesma substância (ou uma substância
    estreitamente relacionada) é consumida para
    aliviar ou evitar sintomas de abstinência
  • 3. a substância é freqüentemente consumida em
    maiores quantidades ou por um período mais longo
    do que o pretendido
  • 4. existe um desejo persistente ou esforços
    mal-sucedidos no sentido de reduzir ou controlar
    o uso da substância

24
Critérios para dependência de álcool e outras
drogas (DSMIV)
  • 5. muito tempo é gasto em atividades necessárias
    para a obtenção da substância (por ex., consultas
    a múltiplos médicos ou fazer longas viagens de
    automóvel), na utilização da substância (por ex.,
    fumar em grupo) ou na recuperação dos efeitos
  • 6. importantes atividades sociais, ocupacionais
    ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em
    virtude do uso da substância
  • 7. o uso da substância continua, apesar da
    consciência de ter um problema físico ou
    psicológico persistente que tende a ser causado
    ou exacerbado pela substância. É a chamada
    compulsão.

25
  • Como Compreender o Fenômeno da Dependência de
    Drogas

26
(No Transcript)
27
Fenômeno Catarina variáveis e determinantes
28
A drogadição como fenômenoVariáveis
  • A dependência de drogas é um fenômeno composto
    por um conjunto de diferentes variáveis
  • Química das drogas Especificidades do
    organismo
  • História individual Contexto social global
  • Personalidade Contexto social específico
  • Rede Sociológ
  • Bio
  • Psico
  • Social

29
Confusão epistemológica dos modelos hegemônicos
na área da dependência de drogas
  • Os modelos hegemônicos ficaram historicamente
    divididos entre a determinação organicista, a
    moralista e a psicodinâmica.
  • Na busca de superar este dualismos os modelos
    hegemônicos na área do tratamento da dependência
    de drogas, oferecem uma resposta rápida a
    drogadição como sendo um fenômeno
    multideterminado e, portanto, biopsicosocial
  • Cometem aí um grave equívoco epistemológico, com
    sérias conseqüências para o tratamento
  • Transformam variáveis em determinantes!

30
Quais são as determinantes do fenômeno da
dependência de drogas?
  • A droga pode inicialmente ser usada como simples
    experimentação, ou de forma recreativa, ou ainda
    para vencer uma dificuldade psicológica simples
    soltar-se em uma festa, paquerar um(a) menino(a),
    acompanhar a ação de uma pessoa próxima,
    incluir-se em um grupo.
  • Mas se o sujeito entra em uma dependência, gerada
    por uma dinâmica psicológica de compulsão, nunca
    é pela simples experimentação ou pelo simples
    efeito das drogas. Na grande maioria dos casos é
    para lidar com um impasse psicológico.

31
A Questão da Comorbidade
  • A comorbidade ou diagnóstico duplo é a
    possibilidade de uma psicopatologia vir
    acompanhada de outro quadro patológico, de forma
    concomitante (Seibel e Toscano Jr, 2000), ou
    seja, é o diagnóstico de dois ou mais transtornos
    psiquiátricos em um único paciente.
  • Há duas situações mais comuns envolvendo as
    condições diagnósticas duplas
  • Transtorno psiquiátrico primário com subseqüente
    abuso de substâncias
  • Abuso de substâncias com conseqüências
    psicopatológicas
  • Quadros mais comuns de comorbidade
  • esquizofrenia,
  • transtornos de humor,
  • transtornos de ansiedade,
  • personalidade anti-social (cuidar com o exagero
    desse diagnóstico, pois é necessário
    caracterizar o prejuízo social associado ao
    consumo de substâncias)

32
A questão da Comorbidade
  • Estudos apontam que pacientes com dependência de
    substâncias psicoativas apresentam elevados
    índices para diagnóstico psiquiátrico adicional,
    em diferentes estudos
  • 76 dos homens e 65 das mulheres (Kaplan
    Sadock, 1997)
  • 50 a 60 dos indivíduos (Zaleski et al, 2006)
  • Por outro lado, estudos americanos (Seibel e
    Toscano Jr, 2000) apontam que pacientes com
    transtornos psiquiátricos apresentam o seguinte
    índice para abuso de substâncias
  • 16 a 29 de todos os pacientes diagnosticados,
  • 47 das pessoas com esquizofrenia e
  • 56 com transtorno bipolar tinham abuso de
    substâncias.

33
Comorbidade
  • A alta prevalência de comorbidades nos indica que
    os impasses e sofrimentos psicológicos estão
    fortemente correlacionados à dependência de
    drogas.
  • Polêmica!!! O transtorno psíquico é causa ou
    conseqüência do uso de drogas?
  • Pode ser ou um ou outro e, por isso, a avaliação
    tem de ser criteriosamente realizada, para se
    fazer um diagnóstico diferencial. Em termos
    práticos, deve-se realizar a investigação da
    história clínica e da trajetória do padrão de uso
    e de suas conseqüências, buscando verificar qual
    dos dois problemas (impasse psi ou abuso de
    drogas) surgiu primeiro.
  • Estudos tem mostrado que a predominância é a
    droga servir para aliviar impasses psicológicos.
  • Desdobra-se daí a teoria da droga usada como
    automedicação, fortemente sustentada por
    pesquisas (Pechansky e Luborsky, 2005).

34
O impasse psicológico (segundo a psicologia
existencialista)
  • O impasse psicológico é uma variável
    fundamental (mas não é uma determinante). Ele
    passa
  • pela insegurança na realização do projeto de ser
    ou
  • pela inviabilização do projeto e do desejo de
    ser

35
O impasse psicológico como resultante de
contradições do sócio-histórico
  • Este impasse é um acontecimento concreto na vida
    do sujeito, que o leva a experimentar-se em uma
    contradição de ser. A realidade lhe apresenta
    diferentes possibilidades, e seja qual for o lado
    para o qual se dirigir, seu ser está
    comprometido
  • Sendo assim, situações concretas de sua vida de
    relações (brigas familiares, esvaziamento das
    relações sociológicas, ameaças na vida
    profissional, etc.) vão se impondo a ele
  • O desarranjo nas situações concretas com as
    pessoas que lhe são significativas vão levando o
    sujeito a se experimentar inseguro,
    inviabilizado, produzindo os sintomas e o
    sofrimento psíquico.
  • Para enfrentar a situação passará a necessitar de
    um apoio, uma bengala - que amortize o sofrimento
    - daí a compulsão pela droga.
  • O problema é que a bengala vira o seu próprio
    inferno!!

36
Droga como bengala química (automedicação)
  • Sendo assim, o álcool ou outra droga serve como
    bengala química para o sujeito lidar com os
    impasses psicológicos resultantes de sua relação
    com o seu sócio-histórico, ou mais
    especificamente, com a sua rede sociológica
    (determinantes).
  • Metaforicamente, chama-se bengala porque serve
    para possibilitar alguém andar quando a perna
    está quebrada, ou seja, ela oferece suporte para
    o sujeito lidar com seus impasses, que são de
    outra ordem do que a droga em si em mesma.
  • Com isso alivia, momentaneamente, os sintomas, o
    sofrimento automedicação

37
O impasse psi como resultante de contradições do
sócio-histórico - Caso 1
  • Na segunda, dia 09/07/2007, tive de sair de casa
    no início da tarde atrás de nossos clientes para
    que nos pagassem, pois estávamos com um cheque a
    descoberto e a situação financeira estava muito
    difícil, estávamos nervosos. Conversei com minha
    esposa no almoço sobre nossa dívida, discutimos,
    pois ela disse que eu sou muito parado, que eu
    tinha de me virar, lutar pelas nossas coisas. Já
    saí meio estressado de casa, eu teria de
    conseguir o dinheiro antes das 16 horas, quando
    fecham os bancos. Fui direto à casa de uma
    cliente que tinha ficado de nos pagar, mas ela
    tinha saído de casa. Comecei a ficar preocupado
    se iria conseguir obter o dinheiro. Depois fui a
    outro cliente que alegou que naquele momento não
    tinha como me pagar. Comecei a ficar tenso,
    ansioso com a situação. Cheguei, por fim, no bar
    perto da minha casa, que também compra nossos
    salgadinhos, para cobrar deles, mas o cara
    responsável pelo financeiro não estava. Nessa
    hora eu já estava completamente tenso e ansioso,
    tinha uma angustia, um aperto no peito, estava
    com dor nas costas e na cabeça, só conseguia
    pensar na situação. Estava um dia quente e eu
    tinha andado muito, mesmo assim não havia
    conseguido nada do dinheiro se voltasse para
    casa de mãos vazias minha esposa ia ficar
    estressada, ia dizer que não fui capaz de
    resolver a situação, que sou um cara que não
    resolve nada, um cara sem ação, um inútil, que
    faço corpo mole, que não sei dar duro nas
    pessoas. Íamos brigar e ela já ia questionar se
    quer mesmo ficar comigo, como sempre faz, o que
    me deixa desesperado. Pedi uma cuba para esperar
    o cara do financeiro chegar, mas eu já estava
    precisando beber, pois estava muito tenso. Assim
    que bebi deu um alívio na tensão. Com que cara
    que eu ia voltar para casa, me questionava. A
    vontade de beber continuava, não consegui parar,
    era a única forma de aliviar. Sabia que se eu
    bebesse pouco ou muito ia ter briga da mesma
    forma. Quando ela passou na frente do bar fiquei
    desesperado, veio uma culpa muito forte. Fui
    imediatamente embora para casa, para esperar ela
    voltar, mas ela não voltou aquele dia, fiquei
    horrível. Mal consegui dormir aquela noite.

38
Fatores de Risco e de Proteção
  • Fatores de Risco
  • Aqueles circunstâncias sociais ou pessoais que
    estão associados à exposição do indivíduo a uma
    situação de vulnerabilidade, ao assumir
    comportamentos de risco, levando a um aumento da
    probabilidade do abuso de drogas.
  • Envolvem aspectos
  • - individuais
  • - familiares
  • - escolares / trabalho
  • - sociais
  • - relacionados à droga e sua oferta.

39
Fatores de Risco e de Proteção
  • Fatores de Proteção
  • Os fatores de proteção são aqueles que protegem
    o indivíduo de fatos que poderão fragilizá-lo
    física, psíquica ou socialmente, garantindo um
    desenvolvimento saudável. Estes fatores reduzem,
    abrandam ou eliminam as exposições aos fatores de
    risco, seja reduzindo a vulnerabilidade ou
    aumentando a resistência aos riscos do abuso de
    drogas.
  • Envolvem aspectos
  • - individuais
  • - familiares
  • - escolares / trabalho
  • - sociais
  • - relacionados à droga e sua oferta.

40
Pesquisas sobre as razões do primeiro uso de
drogas (Micheli D Formigoni M, 2001)
  • Em pesquisa realizada em 2001, usuários jovens
    com dependência grave apresentaram maior
    proporção da presença de traumas familiares (25
    separação dos pais, 45 brigas familiares, 43
    agressão) do que os grupos de dependentes
    leve/moderado e não dependentes de drogas, cujos
    resultados foram semelhantes (16 separação dos
    pais, 21 brigas familiares, 18 agressão).
  • A esse respeito, é interessante notar que, em
    outro estudo nacional sobre o uso inicial de
    álcool e/ou drogas pelos adolescentes, as razões
    mais mencionadas foram para fugir de problemas
    familiares (35) e para ser aceito no grupo de
    amigos (15). (Ibope)

41
Determinantes estão no sócio-histórico (contexto
antropológico e rede sociológica)
  • Dessa forma, as determinantes (aquilo que
    constitui o problema) estão no sócio-histórico,
    ou seja, no contexto antropológico, apropriado
    ativamente pelas relações da rede sociológica.
  • O problema só será prevenido, alterado, superado,
    se mexer, modificar as determinantes, ou seja, se
    intervir na rede sociológica, que sempre é
    inscrita em um contexto sócio-histórico objetivo.
  • Não se trata somente de mudanças sociais amplas,
    apesar destas serem importantes. Mas de mudanças
    no contexto concreto da vida das pessoas afetadas
    pelo problema da drogadição.

42
(No Transcript)
43
PARTE 3
44
Compreensão da Dependência de Drogas
Contribuições da Psicologia Existencialista
45
O impasse psi como resultante de contradições do
sociológico Episódio de Recaída Caso 2
  • Era sexta-feira. Eu passei a noite com minha
    filha, pois minha ex-esposa iria chegar mais
    tarde. Por volta das 23h. fui levar a menina para
    casa. Chegando lá, enquanto nossa filha brincava
    na sala, sentei-me para conversar com Eva.
    Falamos sobre nossos projetos, coisas boas que
    aconteciam no casamento, planos que pudessem
    ajudar a melhorar nossa situação, a falta que um
    faz para o outro, o medo que ambos sentimos de
    ver um ao outro com novos companheiros, etc. Foi
    uma das melhores conversas que tive com ela desde
    o início da separação. À medida que a conversa ia
    evoluindo a minha esperança em reatar o casamento
    aumentava. Fui embora, pois já estava tarde. Na
    despedida, abracei e beijei-a na boca. Senti
    muito prazer e saudade da minha vida de casado.
    Queria ficar ali em casa, dormir com Eva. Mas
    como ela não me convidou para ficar, eu também
    não me ofereci Despedi-me e fui para a casa da
    minha mãe. À medida que me afastava de Eva, a
    vontade de voltar para ela aumentava, assim como,
    aumentava o vazio e a solidão na minha frente. Só
    conseguia pensar na situação, ficando meio
    desligado do resto. Tinha uma mistura de alegria
    com uma certa angustia, pois tinha sido bom
    conversar com ela, mas nada tinha sido resolvido.
    Quando cheguei em casa e vi o colchão velho e
    meio rasgado no chão experimentei solidão,
    sensação de perda. Fiquei tenso, mais angustiado
    ainda. Tentei sentar em frente ao computado, mas
    não conseguia me concentrar em nada. Precisava de
    um estímulo para ficar concentrado no trabalho e
    sair um pouco da história da separação. Precisava
    me acalmar. Sai de casa para ir ao bar, começou a
    me dar vontade de dar um teco. Cheguei lá,
    tomei duas cervejas e logo apareceu um conhecido
    com cocaína. Comprei o equivalente a duas
    carreiras, cheirei-as e fui embora. Cheguei em
    casa por volta das 0230h, com uma cerveja e um
    restinho de droga. Queria ficar em casa
    sossegado, mas estava muito ansioso, com peso na
    consciência por ter usado droga de novo. Estava
    na certeza de que tinha afundado o pé na jaca,
    estragado tudo como sempre fiz. A situação foi
    ficando cada vez mais insuportável, eu estava
    agoniado, fiquei no volto, não volto para o
    bar, afrouxei e voltei. Acabei ficando lá até às
    0600h. Quando cheguei em casa, deitei e fiquei
    rolando na cama até às 0800h. Estava nervoso,
    coração disparado, pressão baixa, pé gelado e
    enrijecido. Ficava mudando de posição o tempo
    todo na cama. Tinha certeza de que não
    conseguiria dormir. Desisti de tentar controlar
    aquela ansiedade tão grande. Levantei da cama com
    medo que acontecesse algo com meu coração, pois
    estava muito disparado, causando grande
    desconforto. Um pouco depois das 0800h fui para
    a casa de um amigo onde passei o dia inteiro
    bebendo e usando cocaína. Durante todo esse
    tempo, pensei bastante em meus problemas com Eva.
    Só voltei para casa no outro dia de manhã.

46
Social, sociológico, psicológico
47
Rede sociológica Família/ Rel. de Trabalho
Baleutros
48
(No Transcript)
49
Episódio da garrafa de vinhoFormação das
atmosferas humanas
  • É inverno. A noite está caindo e eu me levanto
    para acender a luz. Olhando para fora vejo que
    começou a nevar. Tudo está coberto pela neve
    brilhante, que está caindo silenciosamente do céu
    encoberto. (...) Esfrego as mãos e aguardo a
    noite com satisfação, pois, faz alguns dias,
    telefonei a um amigo convidando-o a vir ter
    comigo esta noite. Dentro de uma hora estará
    batendo à minha porta. (...) Ontem comprei um boa
    garrafa de vinho, que coloquei à distância
    apropriada do fogo. (...) Meia hora mais tarde
    toca o telefone. É o meu amigo, a dizer que não
    poderá vir. Trocamos algumas palavras e marcamos
    novo encontro para outro dia. Quando torno a
    colocar o fone no gancho, o silêncio do meu
    quarto ficou mais profundo. As próximas horas se
    parecem mais longas e mais vazias.(...) Dentro de
    alguns momentos estou absorto num livro. O tempo
    passa lentamente. Ao levantar os olhos por um
    momento, para refletir sobre um trecho pouco
    claro, a garrafa, perto do fogo, chama a minha
    atenção. Percebo mais uma vez que o meu amigo não
    virá e volto à minha leitura (Van Den Berg,
    1981 36).

50
(No Transcript)
51
Tratamento da Dependência de Drogas
Contribuições da Psicologia Existencialista
52
Questionamentos acerca da concepção hegemônica
sobre o tratamento - psiquiátrica e moral (1)
  • A concepção da dependência como doença crônica e
    recorrente joga a pessoa na certeza da
    impossibilidade de sair do problema, ela poderá
    apenas controlá-lo, mas nunca superá-lo (lança-o
    no desânimo - fica retido no problema)
  • A meta da abstinência em si mesma,
    descontextualizada das mudanças objetivas no
    sócio-histórico do dependente é uma perspectiva
    fracassada, pois, na medida em que os impasses
    psicológicos, objetivamente dados pelas
    contradições no sociológico, não estão superados,
    a função de bengala da droga continuará
    necessária! A pessoa não consegue, assim, superar
    a sua compulsão, a menos que mutile sua vida
    social (evitar a qualquer custo o primeiro gole).
    Daí o número elevado de recaídas (mais de 60 dos
    casos).

53
Questionamentos acerca da concepção hegemônica
sobre o tratamento - psiquiátrica e moral (2)
  • A recusa moral de beber ou de drogar-se não é
    suficiente para parar com a compulsão. Nessas
    proposições está embutida a concepção de que a
    pessoa tem de mudar de vida, zerar o seu ser,
    recomeçar do zero. Este é um caminho fracassado
    por princípio, pois significa a pessoa abrir mão
    daquilo que lhe é essencial, que é sua história,
    sua relações
  • Tampouco basta mudar de comportamento, de crenças
    e cognições. Se não alterar as determinantes
    (sócio-históricas) que constituem o problema,
    este permanece ativo, ainda que controlado. No
    próxima situação de confronto que o sujeito
    enfrentar... a probabilidade de a compulsão pela
    droga voltar é grande, pois ele não modificou a
    sua relação com as situações concretas que o
    afetam, para que possa prescindir da bengala

54
Perspectivas para Tratamento Psicologia
Existencialista
  • A droga não pode ser um fantasma do qual o
    sujeito foge, pois assim ela ganha em poder sobre
    ele. Ela tem de ser algo com a qual ele lide e
    possa escolher não usar.
  • Para tanto, o tratamento para superar o problema
    e a prevenção para evitá-lo passa por trabalhar a
    rede sociológica, no sentido da implicação do ser
    dos sujeitos uns com os outros, viabilizando o
    tecimento do usuário na sua malha sociológica -
    daí a importância de trabalhar a família e as
    relações de trabalho.
  • Mas esta intervenção deve ser feito numa
    perspectiva de resgate do tecimento sociológico e
    não simplesmente de passagem de informações
    sobre a doença para os familiares ou de
    exigências afetivas ou morais

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Perspectivas para Tratamento Psicologia
Existencialista
  • O fundamental é verificar qual é e como ocorre o
    impasse psicológico (variável fundamental) que
    gerou a compulsão pela droga.
  • É necessário verificar, portanto, a função da
    droga, pois sem modificar tal função não se
    altera a compulsão.
  • Para tanto é preciso compreender o contexto
    sociológico e antropológico (determinantes) no
    qual o sujeito está inserido e os situações
    sociológicas e psicofísicas (variáveis) que ali
    ocorreram.
  • Depois desta verificação, é necessário intervir
    nesse contexto sócio-histórico, na condição do
    usuário lidar com estas relações que são as
    determinantes para o processo de dependência.

56
Perspectivas para Tratamento Psicologia
Existencialista
  • Caso Sarah transtorno de ansiedade e
    dependência de maconha.

57
Referências Bibliográficas
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    prevenir. São Paulo, Scipione, 2000.
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    álcool e outros transtornos psiquiátricos. Rev.
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    Florianópolis Nuca Ed. Independentes, 1996.
    (Cadernos de Formação 1).
  • Bertolino, P. Modelos Científicos. Obtido no
    site www.nuca.org.br , em 11/08/07.
  • Caldeira, Z. Freire. Drogas, indivíduo e família
    um estudo de relações singulares. Mest Fundação
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    1999.
  • Carlini, E. et al. I levantamento domiciliar
    sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil
    estudo envolvendo as 107 maiores cidades do país
    2001. São Paulo CEBRID/UNIFESP, 2002.
  • Carlini, E. et al. II levantamento domiciliar
    sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil
    estudo envolvendo as 107 maiores cidades do país
    2005. São Paulo CEBRID/UNIFESP, 2006.
  • Harvey, D. A Condição Pós-Moderna. São Paulo
    Loyola , 1998.
  • Ianni, O. A Sociedade Global. 2a. ed. Rio de
    Janeiro, Civilização Brasileira , 1993.
  • IMESC. Fatores de Risco e de Proteção. Obtido no
    site http//www.imesc.sp.gov.br/infodrogas.

58
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    capitalismo tardio. São Paulo Ática. 1996.
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    Médicas, 1993.
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    uso de drogas. J Bras Dep Quím 2001 2
    (1)20-30.
  • Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de
    Saúde. Projeto Ajude-Brasil avaliação dos
    usuários de drogas injetáveis dos projetos de
    redução de danos apoiados pela CN-DST/AIDS.
    Brasília Ministério da Saúde, 2001.
  • Pechansky Luborsky. Abordagem psicodinâmica do
    paciente dependente químico. In Psicoterapia de
    Orientação Analítica. Porto Alegre Artes
    Médicas, 2005.
  • Seibel Toscano Jr. Dependência de Drogas. São
    Paulo Ed. Atheneu, 2000.
  • Silveira Bueno, J. G. Função social da escola e
    organização do trabalho pedagógico. Educar,
    Curitiba, n. 17, p. 101-110. 2001. Editora da
    UFPR
  • WHO. Neurociências consumo e dependência de
    substâncias psicoativas. Relatório adquirido no
    site www.who.int em 05/04/2004. In WHO Library
    Cataloguing-in-Publication Data.
  • Zaleski et al. Diretrizes da Associação
    Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas
    (ABEAD) para o diagnóstico e tratamento de
    comorbidades psiquiátricas e dependência de
    álcool e outras substâncias. Rev. Bras. Psiq. V.
    28, n 2, São Paulo, jun. 2006.

59
  • Coordenadora Drª Daniela R. Schneider
  • E-mail danis_at_cfh.ufsc.br
  • Fone 048 - 37218607
  • Site www.psiclin.ufsc.br

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